quinta-feira, 29 de maio de 2014

Das Relações Sociais

            Por volta de 1927 em Hawthorne bairro de Chicago (USA) na fabrica da Western Electric Company foi realizado uma experiência que depois ficou conhecida como: Teoria das Relações humanas, o objetivo era analisar se as condições de luminosidade influenciava na linha de produção. A fabrica apresentava um alto índice de troca de funcionários e mesmo que a fabrica desse incentivos financeiros este índice ainda sim continuava alto.
            Para entender e mudar este índice a pesquisa se baseou inicialmente em tentar descobrir se as condições de iluminação influenciavam na produção, para este estudo foi criado duas salas onde as condições de iluminação pudessem ser testadas.

            Na primeira fase uma das salas tinha a intensidade de luz variável enquanto a outra os trabalhos eram realizados com uma intensidade maior e constante, nesta fase observou-se que a luz não era o fator preponderante no qual influenciava na linha de produção e sim o fator psicológico no qual as pessoas estavam sujeitas era o fator que influenciava na linha de produção, na tentativa de isolar o fator psicológico procuraram atenuar e as pressões impostas pela própria pesquisa e se observou que não era a luz e sim o modo em que os trabalhadores eram tratados em cada uma das salas que influenciava na linha de produção. Houve outras fases no qual a pesquisa foi realizada que se estendeu por vários anos (e por isso não irei relatar todas as fases aqui, pois a pesquisa é bem ampla), mas o que chama atenção nisso tudo não é a pesquisa em si e sim o fator humano que surgiu, embora houvesse varias tentativas de atenuar esse fator, era justamente a forma de tratar o ser humano e das relações uns com os outros que influenciavam na produtividade e rotação dos empregados.

            Embora esta pesquisa tenha sido nomeada como Teoria das Relações Humanas eu considero que o fator predominante seja na realidade a Relação Social entre as pessoas que participaram desta pesquisa, tanto que se ela for realizada hoje em dia com certeza os resultados poderão ser diferentes do que os obtidos nessa experiência, isso porque a sociedade como um todo muda suas características de tempos em tempos, certos argumentos validos no passado podem não ter significado nenhum na atualidade, somente para fins de exemplificação: - antigamente os homens não queriam que suas esposas fossem vacinadas, já que teriam que exibir o corpo para um estranho, em um caso bem interessante e do tempo mais atual, uma mulher ao ser interpelada por uma autoridade policial por estar exibindo os seios numa praia em local publico, foi severamente defendida por seu marido, pois para ele, ela tem o direito de exibir seu corpo da forma que bem quiser!!!

            Ou seja: Os valores em uma sociedade são mudados conforme a passagem do tempo.

            No entanto existem fatores que são igualmente reconhecidos em uma sociedade como sendo fatores essenciais na existência humana como, por exemplo: bondade, dignidade, consideração, reconhecimento de valores... Tudo que faz parte de características vistas e desejadas por todos como sendo algo próprio do ser humano.

            Estes valores surgiram nessa pesquisa nas outras fases como:

            Motivação
            Conceito de grupo
            Liberdade de expressão
            Liderança compartilhada
            Objetivos comuns entre todos e reconhecimento...

(maiores informações sobre essa pesquisa pode ser encontrada facilmente na internet)

           
            Esta pesquisa foi duramente criticada anos após e logo foi surgindo novas teorias como à teoria comportamental, teoria behaviorista do comportamento, teoria das decisões entre outras.
            Em todas as teorias há uma tendência grande em olhar o ser humano como o ultimo recurso para os meios de produção, tanto que o primeiro contato que um trabalhador realiza com as empresas se dá pelo conhecido Recursos Humanos o famoso RH!
           
            Vivemos em uma imensa sociedade onde o contingente humano é cada vez maior e os meios de produção também tendem a seguir este crescimento, porém há uma imensa carência entre viver em uma sociedade e ser um ser social!

            O momento que vivemos no Brasil que cederá a copa do mundo (o mês que vem) tem demonstrado isso.
            As propagandas falam que este evento gera empregos, mas não se entende o que há de ser gerado realmente.
            Um campeonato de futebol, não passa de uma mera distração social onde o resultado final deste campeonato é apenas dizer que tal time venceu outros times e só!
            Para isso foram gastos milhões e milhões e o que se produz realmente não passa de uma mera alusão de vitória e até mesmo de emprego.

            Em todas essas teorias sobre o homem quanto sociedade, vejo que há uma imensa carência da própria relação social  e do que é realmente os meios de produção. Como podemos ver no artigo: Das relações Econômicas, (http://reflexhuman.blogspot.com/2014/01/das-relacoes-economicas_14.html) o valor de algo depende da importância que damos a este algo. Temos neste momento (copa do mundo 2014) a ideia de que vivemos um grande sentimento de nação, de nacionalidade, mas é preciso compreender o que isso significa:

             Uma nação é muito mais que os limites territoriais (pátria), ter o mesmo “dinheiro” em circulação e a mesma língua, constitui também que tal conjunto de pessoas compartilham as mesmas leis e ordens geradas pelo seu estado (Governo) e, senão os mesmos, propósitos, gostos, deveres e costumes... Estão constantemente em transformação dentro desse conjunto de pessoas que compartilham ideais e obrigações uns com outros, ou que estejam bem próximos a isso, e nesse conjunto, os conceitos próprios desta sociação são redefinidos constantemente dentro dos próprios domínios desta sociedade.

            É notório que os meios de comunicação tem gerado uma aceleração nesse processo de compartilhamento, embora não haja um esclarecimento maior sobre o que estamos promulgando entre nós!

            Se é bom não só para um seguimento, mas também para todo o conjunto que é formado em uma sociedade, não está sendo visto com a amplitude que essa nova forma de relação social pode causar em nossa própria organização que geramos. O dinheiro é visto como um fator importante para se adquirir bens e ter uma vida melhor, no entanto é preciso lembrar que este é só um medidor dos valores estabelecidos por nós.

            Pessoas nascem e vão fazer parte de tudo isso, porém o que é ensinado a cada um sobre todo este conjunto?

            Em 1983 ficou marcado no Brasil com o inicio das campanhas pelas eleições diretas para presidente da Republica Federativa do Brasil, estranhamente a primeira pessoa eleita após décadas de ditadura militar foi alguém que até então não tinha aparecido nos palanques pedindo eleições diretas, e em 1989 pelo voto da população foi eleito Fernando Collor de Melo, que acabou saindo dois anos depois, um pouco pela pressão popular e outro tanto pelas denuncias com relação a desvio de dinheiro de campanha... Mas o interessante é que ficou claro que: as pessoas não tinham ideia da grande responsabilidade que é ser Presidente de um país do tamanho que é o Brasil, logo depois da saída do Collor foi eleito então Fernando Henrique Cardoso, que como ministro da Fazenda elaborou mais um desses planos mirabolantes pra tentar frear a inflação desenfreada!

            Desde a época em que nasci até o presente momento, se fossemos colocar de volta os zeros que foram cortados nestes diversos planos econômicos, uma nota de dez reais teria mais doze zeros (R$ 1012,00) isso indica que a maioria das pessoas dessa imensa nação não tem uma consciência clara do que seja: Nação, dinheiro, democracia... Hoje há uma constante luta para se ganhar mais, no entanto o que isso pode gerar se novamente o dinheiro começa a existir em volume, mas perder o poder de compra?

            Temos hoje uma sociedade que não estabelece claramente quais são os valores que devemos viver dentro da mesma sociedade, se diz que devemos combater o trafico de drogas, mas se esquece de mudar a ideia de consumo, se combate a violência contra a mulher, o  estupro, a pedofilia, mas se esquece de promulgar o verdadeiro amor, de olhar e ver que não são os homens que são maus e sim que formamos de um modo muito ruim os homens, um exemplo disso:

            Quando o furacão Katrina passou pelo sul dos Estados Unidos em 2005, logo após a devastação houve, além do caos gerado por um fenômeno da natureza, uma devastação cível entre a própria população: saques, violência, estupros... mas tudo isso me levou a pensar:

            - Se isso acontecesse no Tibet, será que os monges tibetanos iriam sair saqueando, roubando, estuprando...
            Me parece que é um tanto óbvio dizer que não é o fato e sim o modo que as pessoas lhe dão com os fatos que faz a grande diferença. Sendo assim, nossa sociedade não forma ideais que sejam vistos pelo menos por uma grande maioria, de forma solida e contundente a ponto de fortalecer aquelas características humanas que todos nós deveríamos ter, como: bondade, dignidade, consideração, reconhecimento de valores... Isso talvez porque acreditamos em uma falsa independência de nossos próprios valores, frases como:

                        _  O que eu faço não é da conta de ninguém!
                        _ Se dois concordam que mal tem!
                        _ Cada um cuida da sua vida...

            São ditas e apoiadas pela grande maioria, como que, se não infringir a lei o resto pode tudo!

            É preciso lembrar que em uma sociedade tantos os valores mais sábios quanto os valores mais inúteis podem ganhar força e até mover as massas para comportamentos que são na realidade, comportamentos anti-sociais. Se somos afetados pelo modo de falar, como é o caso do sotaque, onde viver dentro de certo grupo adquiri uma identidade lingüística tanto na forma de falar como nos gestos, então isso nos arremete a ver que somos influenciáveis pela sociedade que nos cerca, ao tempo que cada um tenta restringir seus valores aos seus próprios anseios, isso significa que estamos gerando em nós nossos próprios inimigos.

            Não há nenhum mal que possa ser um mal de primeira causa, todo mal é causa segunda, a primeira causa é então fundamento de tudo.

            Esta forma de pensar já foi dita por filósofos antigos e se chama Causa sui, ou seja: Causa em si.

            A causa em si implica que não há nenhum outro fenômeno causado a não ser aquele que é gerado pelo homem, para entender basta olharmos a nossa volta, tudo que é feito, construído, realizado é e está sob o domínio do homem, por exemplo, pode ser seu computador, seu celular, suas roupas... enfim tudo que está a nossa volta foi antes pensado e elaborado pelo pensamento humano, portanto está sobre nosso próprio poder tudo isso que causamos, no entanto não podemos ter plena consciência de tudo ao mesmo tempo, então cada um de nós dentro de nossa sociedade realizamos uma parte desse processo e assim não causamos o todo, mas uma parte deste, e sendo assim, se nossas idéias, nossos pensamentos causaram o que está a nossa volta então é o fato de não estarmos diretamente ligados a essa primeira causa que nos gera, não só sentimentos, mas também nossas ações que são a segunda causa, o mal.

            Se então nos ligarmos a primeira causa, a causa em si, estaremos com  isso promovendo, não só bens materiais, mas também o bem como causa a todos nós.

            Não temos em nós mesmos uma pré programação a ser seguida, se fosse assim não haveria liberdade de ser, o que é confundido no livre arbítrio é que cada um possa fazer o seu próprio julgamento, no entanto se tal julgamento, ou determinação, decisão, solução dada pela própria consciência for realmente justa significa então que esta está diretamente ligada a causa sui, causa em si, então se realmente queremos o bem precisamos compartilhar o bem para que este seja causado, cada um fazendo uma pequena parte causa então o bem em toda parte, sem necessidade de opressão ou de impor valores a cada um e sim que cada um deve em si reconhecer o poder de fazer o bem a todos e com isso estabelecer uma ordem dentro de sua sociedade sem que esta ordem seja imposta através de leis ou de castigos, e sim por apenas ser, através de uma necessidade de ordenação, como quem segue rumo a um local que para se chegar a outro é preciso de: Motivação (algo que se auto obrigamos a fazer) objetivação (crença no propósito a ser alcançado) saber expressar seus desejos (Liberdade para sentir e reconhecer) e principalmente compartilhar tanto nossas forças como nossas fraquezas e assim nos colocamos empenhados a chegar em um lugar comum a todos que não vai vir do céu como um meteoro que cai e sim como o bem maior que temos e que podemos dar e receber sem que haja nenhum ônus a ser cobrado sobre isso:

            O amor fraternal

            Todos os grandes lideres que mais influenciaram a humanidade falaram sobre este amor e não cobraram e nem receberam nada mais, nada menos do que o simples reconhecimento, de grande parte de todos nós, e se todos nós os olhamos com grande admiração e consideração saiba que o que eles promoveram pode ser adquirido por você!


Olhe e reconheça então que está em você a Causa sui.

Não espere pela bondade, cause-a.