quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Gomes!

Gomes!

Em agosto deste ano escrevi uma peça de Teatro intitulada: Gomes!
Resolvi por a peça em meu blog pela riqueza do dialogo apresentado, e por ser o ultimo dia de 2015, em 2016 espero poder reiniciar meu trabalho no blog que como sempre não me gera nenhuma renda, a minha satisfação e alegria é poder saber que estou contagiando as pessoas com o bem, estou dando a humanidade exatamente a humanidade que ela me ensina a ter.

         Falando agora um pouco do Gomes!
         Amo o trabalho do Mágico de Oz, o lado metafórico de cada personagem me incentiva a acreditar na humanidade e o quanto podemos se formos mais humanos e menos receosos do controle da verdade em nós, as vezes o que nos é verdadeiro pode ser verdadeiro dentro de nossos sentimentos e ações, apesar de que podemos nos enganar facilmente. Gomes mostra isso, ele viaja de forma metafórica nos três personagens do mágico de Oz:

Em principio - Ele se vê como o Espantalho; achando que não tem inteligência acaba guiando sua vida pela inteligência das pessoas a sua volta!

No meio – Ele se vê obrigado a agir sem coração, como se seus verdadeiros sentimentos não fossem tão verdadeiros assim, acaba agindo com a frieza das pessoas a sua volta!

E por fim – Ele deixa sua coragem de agir por si mesmo e se vê acovardado pelo que está a sua volta!

         Gomes reúne também um pouco do Rei Leão e Tempos Modernos. Quando se vê fugindo para um mundo diferente ele descobre o mundo interior que ele abandonou ao tempo que seu lugar no mundo ainda há de ser descoberto, porém nesta viagem ele se agarra as oportunidades sem zelar por si mesmo, e assim patinando sem saber por onde ele descobre que a qualquer momento poderia ter desabado!
         Pretendo dar uma melhorada no texto a partir de certas observações de outras pessoas, mas por enquanto este é o Gomes! Um gogo boy que na realidade só quer ser amado! Vamos ao texto original:

            Um gogo boy trancado em seu quarto começa a questionar sua própria vida.
            Em seus pensamentos ele acaba fazendo um registro de sua própria vida em seu computador, em meio a isso ele começa a descobrir a si próprio e começa a entender o que é o amor, o amor pela vida e como ele realmente quer viver. Um drama até engraçado ou a graça de ser dramático... Tanto faz porque o Gomes é um rapaz que aos 27 anos quer ser mais que um falo falante, ele quer ser amado e tocado no coração e não só em seu corpo...

Cenário:
            Em cena e de forma circular haverá: uma porta com seu batente, uma cama de solteiro e uma cômoda, em cima da cômoda algumas garrafas de bebidas e uma coqueteleira, uma mesa e uma cadeira giratória com um notebook e um fone com microfone sem fio, um fogão (não precisa de botijão) e uma geladeira, uma mesa de centro redonda bem no centro do palco (que resista ao peso do ator) há uma sacola de compras do tipo ecológica sobre a mesa. O ator veste uma camisa e uma bermuda, chinelos havaianas e um chapéu tipo pescador bege claro na primeira cena. Acima do palco e pouco mais a frente haverá uma tela negra para projeção de imagens e outros detalhes, explicarei pessoalmente como vai ser.

Enredo:
A peça começa em pequenas introduções com ele fechando a porta e entrando no quarto.
            O palco se ilumina.
            Gomes está fechando a porta e leva as mãos na cabeça.

            O palco fica escuro novamente, volta a ascender, ele está deitado, com uma das mãos na cabeça e outra no celular, uma perna está dobrada, há duas pequenas sacolas de compras perto da cama neste momento. O palco se apaga, volta a ascender, ele está de pé caminhando no sentido da porta para cama e diz:

            - Minha vida é uma merda!
            - A minha vida é uma merda!

As luzes se apagam. Novamente se ilumina e ele está com as duas sacolas em cima da mesa retirando as compras e colocando alguns produtos na geladeira e outros, como biscoito, ele deixa em cima da mesma, tira o chapéu, novamente as luzes se apagam e volta a ascender, ele está sentado na cama olhando para seu celular:
            - Porra! 738 contatos e ninguém realmente importante na minha vida!
            - Lixeira! Lixeira! Lixeira!
           
            Mais uma vez as luzes se apagam, volta a ascender com maior intensidade desta vez ele está de pé caminhando em direção a mesa, a sacola de compras pequenas agora está vazia e dobrada sobre a mesa e o personagem diz pra si mesmo:

            - Responda suas perguntas, responda suas perguntas!
            - Sabe o que te dói cara, sabe o que te entristece... Ele pega as sacolas e joga dentro da sacola maior enquanto fala. É que se eu morresse agora ninguém iria saber dizer nada sobre eu, sobre mim... Nem sei dizer se é sobre mim ou sobre eu... As luzes diminuem a intensidade criando a impressão de passagem do tempo, volta a acender novamente, ao voltar ele está na geladeira enchendo um copo com água, na mesa há sacola de compras no canto a esquerda permanece, e começa a falar:

            - Eu não sou burro, eu não sou um idiota, não sou aloprado... Bicho! O que é mesmo aloprado?
            Ele vai em direção ao computador:

            - Eu vou ver no dicionário, eu tenho dicionário nesse computador porra! Burro é o cara que não olha! Ele senta a mesa e abre o computador e liga o mesmo. As luzes se movem dando a impressão de avançar no tempo, para chegar ao momento em que o computador está ligado e o programa do dicionário está aberto. Ele vê no dicionário a palavra aloprado, a imagem do computador irá aparece no telão acima do palco, Gomes fala:

            - Aloprado é o cara agitado, inquieto!
            - É eu não sou aloprado! Eu estou aloprado, seu computador de merda! O personagem respira fundo e entra em intropecção.

            As luzes se movem por um instante, volta a ascender dando a impressão de luz do dia:

            - É computador, só tenho você pra me ouvir, desculpa ai te xingar de merda, merda aqui sou eu, 3 dias que to aqui, nesse apartamento, sozinho e só tenho você pra me ouvir... Meu pai falou pra eu rever toda minha vida, nem sei como faço isso... O personagem pensa um pouco e fala: - pô cara lembrei... Gomes pega o fone de ouvido e coloca, começa a procurar um programa de computador tipo convert voice (fictício para a peça, esta imagem irá aparecer na tela), ai ele diz:

            - Alô! Alô! Ihh ohh ih cara maneiro! Agora eu tenho como contar minha história! Já que não sou bom em escrever vai ser você computador que vai me ouvi e escrever, tu vai saber tudo da minha vida, ai tu vai mostrar um dia pra alguém quem foi o:
Gomes!

            - Perai! Vou iniciar uma nova pagina!

Gomes!

            Oi meu nome é Gomes! Gomes da Silva!

            Pior que esse nome não é nem o nome do meu pai nem nome do meu avô!
            Minha mãe disse que viu em algum lugar e achou bonito, deve ter visto na lata de sardinha! Foi comprar atum e nasceu eu, um tonto!
            Pô, seria maneiro se meu primeiro nome fosse James, já penso, eu ia começar essa história assim:

            - Meu nome é Gomes! James Gomes!

            Ia ficar maneiro pra carai... pô doido, tu escreve palavrão também? Se minha mãe ver, vou ter de controlar isso!
Bem depois apago o que for inútil. Acho que quase toda minha vida foi inútil!
Um pouco culpa deste meu nome.
Meu nome, por que desde criança eu era chamado de gogo boy, só porque meu nome é Gomes me chamavam de gogo boy, conclusão: Virei um gogo boy, acreditando que eu nasci mesmo, bonito e sarado foi pra isso mesmo. Pra ser um gogo boy, mas meu pai vem me dizer que Gomes é filho do homem... Que homem?
Pra ser homem pra carai, ihh carai, de novo!
Bom pra ser homem mesmo tem de pegar muita mulher e ser bom de bola e eu sou bom mesmo nas duas coisas, bem no futebol eu era.
Jogava bola pra cara... tu vai escreve né?
Eu era muito bom cara, eu era pica jogando bola!
Só que bom de bola, gatinho, e ainda com esse apelido de gogo boy já viu!
Com 10 anos eu já tinha namorada!
Já saia de mãos dadas e ia na casa dos pais dela.
Na casa, á casa, ehh corretor ortográfico, ta me tirando de burro! Até você!
Assim eu vô pára cara! Ele tira o fone e se levanta. Leva os dedos entre os olhos e fala:
To cansado disso, to cansado de num ter valor nenhum, até esse computador me tira de burro, eu não sou burro, e nem idiota, eu estou aloprado, aloprado mesmo, por que to cansado de não viver minha própria vida, to cheio de fazer o que as pessoas acham que eu devo fazer só por que sou bonito tenho de ser artista... Ele anda em círculos enquanto fala e por fim volta a sentar.
Eu quero viver pra mim, eu quero uma vida minha uma vida que eu viva o que eu quero como eu quero e que eu me sinta amado, amado como gente não como um bicho ou um toro de reprodução, quero ser amado, eu quero amor, eu quero amor porra...
Ta, não sou fraco e nem covarde, eu tenho coragem pra dizer tudo que vivi e encarar a minha vida, já que meu pai num ta aqui vai ser você mesmo computador que vai ouvi e escrever o que eu falo... Se você quer escrever direito escreve porra, eu vou falar do meu jeito, do jeito que sei fala. Ele põe o microfone novamente e volta a contar sua história.
Ta, eu já tinha 12 anos e já tava sendo cotado pra ir pra liga mirim de futebol... Já tinha outra namorada, Liane, Gomes e Liane ela tinha 13 e eu gostava dela e de mais 3 meninas na escola.
Pegava todas!
Era burro, mais pegava todas! Achava que quanto mais melhor, achava que eu tinha nascido bonito pra isso mesmo, pra ter e dar prazer... Afinal eu era o Gomes, o gogo boy. Até no futebol eu era o gogo boy...
Minha família era... Pobre, meu pai pedreiro e minha mãe empregada doméstica. Só tiveram eu de filho, por que meu pai tinha 12 irmãos e tudo pobre, então pra que ter um monte de filho!
Só pra enche o mundo de pobre!
Serviçal, enche o mundo de servente de pedreiro e construir uma selva de pedra pra quem tem dinheiro!
Meu sonho era ser jogador profissional, ter minha mulher e dar uma casa descente pros meus pais.
Com 17 anos eu comecei a ganhar dinheiro com futebol, a vida tava até melhorando ai eu conheci a Grazi, Graziela!
Maria chuteira pra carai véi!
Mais eu tava me achando com ela, a mina era maior gata do clube, era à musa do meu time e eu tava pegando...
Mina maior cara de anjo, mais era uma puta na cama, fazia de tudo comigo meu irmão, aprendi de tudo com aquela mina,... Descobri até que porra fazia bem pra pele... Essa parte depois eu apago!
Todo mundo dizia que a gente se parecia, até puto na cama eu virei como ela! O personagem se coça, respira um pouco e volta a falar:
Pô!
Até sonhava em um dia chegar a ir pra seleção!
Fui campeão sub 20 pelo meu time, até que de bobeira levei um carrinho e nos treinos!
Disso ai fudeu toda minha vida! Depois apago isso também, meus pais são crentes, eles não gostam que eu fale assim! Me educaram pra não falar palavrão, mais eu falo, nem sei por que não falar e nem sei por que falo.. Falo, essa foi nova, só meu pai mesmo!
Bom, meu joelho foi pro saco!
Minha paleta já era, arregaçou!
Fazer o quê! Ninguém pode imaginar um troço desse.
Até com a mão mesmo minha perna sai do lugar!
Até o cara que me deu o carrinho chorou mais que eu.
Eu falei: - Cara é a vida, depois que acontece não adianta chorar que não muda! Ele abaixa a cabeça passa a mão pelo rosto e volta a falar.
A Grazi quando viu eu no hospital só chegou pra mim e falou:
- Eu mereço um homem inteiro, não quero um homem bixado!
Ela me deixou como se eu fosse um lixo, um nada!

Ele se levanta meio incomodado, esfrega o rosto, se estica e volta a sentar.

Ai eu pensei né!
Pô já que é assim num vô gosta de mais ninguém!
Vou usa também, vou só usa a mulherada!
Olha que merda! Ai que eu me dei mal na minha vida!
Saia enchia a cara e contava pra todo mundo que eu era pica como atacante, e ai virei pica como pica mesmo!
Só atacando a mulherada e não pensava em fazer nada, como se um milagre fosse acontecer e meu joelho fosse ficar bom e a vida fosse dar uma virada!
A virada que deu foi que a Graziela tava grávida quando me largou, pegou o tonto do capitão do time!
Esse sim é um idiota!
Idiota que teve a coragem de chegar pra mim e dizer que a mulher que eu pegava ele tava pegando e ainda por cima tava grávida de mim e que ele ia assumi o meu filho!
Olha! Carai! Que porra meu!
O cara foi tão imbecil que tava se achando.
Dizendo que ia criar o meu filho como se fosse dele! O personagem fica incomodado consigo mesmo mostra desconforto, abaixa a cabeça e esfrega o rosto. Leva os braços pra cima e então diz:
Ta!
Continuando!
Perdi o rumo da minha vida, até estudar eu não conseguia, me sentia mal, me sentia obrigado a fazer algo que não tinha sentido, eu era atacante, não era estudante. Pra piorar nas rodinhas de bar eu que era atleta comecei a fumar, fumava escondido dos meus pais.
Comecei a trabalhar com meu pai e fumava escondido dele enquanto meu joelho tava daquele jeito, os amigos do futebol eu nem via mais.
Como eu ia encarar o casalzinho canalha e cretinos, criando meu filho como se eu nem tivesse nada a ver com isso!
Guardei segredo, eu que tinha vergonha de falar:
Olha! Esse filho ai é meu!
Pior que veio um gurizinho mesmo, e eu não podia ta lá com ele pra ver os olhinhos dele e dizer:
- Sou seu papai!
Não pude nem pensar em escolher o nome dele!

O personagem fica emocionado, volta a ficar inquieto, bebe um pouco de água até o copo ficar vazio. E volta a falar:

Mais a merda só tava começando! Todo mundo via que eu tava triste, algumas pessoas chegavam ni mim e falavam:
Fica assim não gogo boy.
Se é bonito, merece tudo de bom e do melhor, se vai dar a volta por cima.
Fica assim não bonitão!

Um cara ouviu isso!
Eu percebi que tinha alguém de olho em mim já fazia um tempo, era um dos arquitetos da obra que eu tava trabalhando com meu pai, até que um dia saindo da obra esse cara veio e falou:
- E ai! Você é gogo boy mesmo?
Eu respondi: não cara é só apelido, é porque meu nome é Gomes, Gomes da Silva.
Ai ele veio falando: Você é um cara bonito... ihh pensei lá vem viadagem! Mais foi pior! Olha só o que o cara falou:
- Fica frio! Sou casado, o meu tesão é outro, eu gosto mesmo é de ficar olhando.
- Você não quer comer minha mulher não?
Ai eu falei:
O quê!
Ta doido! O cara respondeu:
- Pô você é bonito cara! Minha mulher é linda, gata, loira, eu sei que ela gosta, só quero dar pra ela o que ela merece e você também merece.
Ai o cara ficou encarando minha mala, maluco! Ai eu falei:
Dá um marido pra ela porra, não um corno que nem você!
Ai o cara falou: - Mais eu gosto de ser corno!
Fudeu!
O cara ainda falou:
- Tenho dinheiro e vou te compensar pra isso!
Ai pensei! Já que eu sou gogo boy mermo! Acho que eu mereço! Por que não, nem tava pensando na grana, só tava era com muito tesão mesmo!
Marcamos o dia, numa sexta feira à noite.
Cheguei à casa do cara (ele aponta pro computador e dá uma piscada) e a mulher do cara era linda. Parecia até que saiu de uma revista, parecia coisa de cinema, baita mansão e eu tava me sentindo um peixe fora da água, ai vi o aquário grande enorme, disfarcei e fui olhar os peixinhos, a mulher do cara pegou no meu ombro desceu a mão até a minha mão e fez eu pegar nos peitos dela!
Pô! Eu todo assustado e o marido dela falou:
- Vou deixar vocês à vontade!
Cara! Eu tava durão e nem me dei conta, quando eu vi já tava fazendo de tudo com a mulher!
E o marido dela tava só nos 5 contra um de longe!

Mais se eu falar ninguém acredita!
Na hora eu comecei a lembrar da Grazi, comecei imaginar aquele canalha pegando ela enquanto ela tava com meu filho na barriga! Ele volta a ficar incomodado e se levanta, põe as duas mãos na mesa e abaixa a cabeça, decide sentar novamente e continua: - aquilo não tinha valor nenhum!
Aquela mulher, uma baita mulher num baita casarão daquele e era tudo igual a qualquer um!
Tudo igual e diferente ao mesmo tempo... Era só sexo, como um exercício, um treino de futebol, me senti um idiota depois, que é que eu tava fazendo!
Aquilo não tinha valor nenhum e eu ali achando que tinha que ta ali porque eu achava que:
Eu mereço!
Pra piorar ela ascendeu um baseado e perguntou se eu cheirava! Eu falei que não!
Ai ela falou que tava na hora de começar a provar algo diferente, ai aceitei só o baseado!
Cara, comecei a pensar que merda é essa que to fazendo, se meu pai ou minha mãe descobre isso, porra, vão sofrer pra carai, e eu sou filho único dos dois. Ele se levanta, vai até a cama senta um pouco passa a mão pelos cabelos volta a levantar e ai continua falando em pé mesmo!

Peguei a grana e fiquei pensando, como é que vou explicar isso pros meus pais, como vou dizer pra eles que ganhei esse dinheiro sem ta jogando!
Nessa noite foi difícil pra carai... ele vai ao computador e diz: - Ta num escreve isso não! E apaga o palavrão (essa imagem aparece no telão).
No sábado eu sai pra rua pensando em inventar um jeito de explicar como eu tinha ganhado aquele dinheiro, ai um cara dando papelzinho na rua me deu um papel dizendo:
Curso de Radiologia pra quem tem o ensino médio!
Eu tinha acabado o ensino médio mesmo e não sabia o que fazer.
Ai fui atrás do curso, achei maneiro e já paguei a matricula, cheguei em casa e falei que tinha ganhado um curso, de radiologia, ainda tive a cara de pau de falar que sempre quis trabalhar como radiologista!
Meu pai só falou pra mim ir até o fim e se precisar ele ia me ajudar, se tivesse algum custo depois.
Ai fiz o curso, me dei bem, peguei umas três gatas nesse curso, mas ficava pensando sempre, que eu só tava ali pra esconder a merda que tinha feito, ainda bem que nunca mais o cara me procurou, por que eu realmente não sai legal de lá, a única coisa legal que restou foi que aprendi a fuma um baseado depois. As minas também puxava um. E nisso cheguei aos 22 anos com um curso técnico de radiologista e consegui uma vaga pra trabalhar num hospital! O personagem volta a sentar e continua:

Cara! Eu novo, gato, trabalhando de radiologista em hospital já viu!
É só putaria dentro do hospital, e eu no meio, pegava todas, o papo da gente além de conversa sobre drogas e doença era só quem pegou quem, como, onde, que horas, antes do expediente, depois do expediente, bundão, peitão, peitinho e eu comecei a ver aquele ambiente, onde as pessoas vão ali pra se tratar e a gente olhava pra elas como objetos, objetos com defeito, quebrados e o os médicos faziam concertos.
Médicos pegava enfermeiras, médicas pegavam enfermeiros, enfermeiros pegavam enfermeiros, enfermeiras pegavam enfermeiras, ai que comecei a entender aquele casal da mansão... 
O que os outros fazem fingindo que o outro não sabe eles faziam sabendo mesmo e na frente um do outro.
Ai como que... De certa forma eu tava nessa também e pra facilitar eu pensei em alugar um quarto pra mim, pra ter um lugar pra leva a mulherada pro abate!
Fumar meu baseado, poder chegar bêbado sem ninguém enche o saco!
Por coincidência um tio meu tinha ganhado muito dinheiro como mestre de obras e ele conseguiu comprar um apartamento em Copacabana com a ajuda da construtora!
Só que o trabalho dele exigia muitas viagens com a empreiteira e como ele ia pra fora do país veio perguntar se eu não queria tomar conta do apartamento e se eu quisesse podia até alugar os dois quartos que tinha!
Juntou a fome com a vontade de comer!
Eu tava levando a vida que todo mundo quer, mulherada, apartamento, dinheiro, que não era muito, mas dava pra ir levando, meu pai já tinha construido o cafofo dele e eu...
Pô!
Eu não me via feliz!
Eu não era feliz!
Todo momento eu me sentia vazio, era como se tudo tivesse errado, fora do lugar e eu me sentia um fingido, aliás todo mundo!
As amizades eram só superficiais!
Mesmo cercado de gente me sentia sozinho.
Eu era falador, falava muito e só falava besteira também os caras entravam no papo no embalo, cerrava um baseado, as mulheres que se aproximavam e eu pegava era como se elas tivessem comido um prato gostoso e bonito, achava que eu comia e eu que era comido, mas era só algumas refeições que elas faziam comigo, depois já queriam mudar de prato, de mesa...
O personagem se levanta, ele pega o copo e vai até a geladeira, enche o copo de água e volta lentamente, ainda de pé começa a falar:
E eu pensava: Pô! Querem só te usar, usa também, usa também, por fim todo mundo tava só se usando, usando, usando pra quê?
Era só porra jogada no lixo!
Era só gozo que era só gozado mais não era vingado, e da vez que eu tinha vingado não era amado, era só mais um gozo trocado! Ele aponta pro computador e diz:
Ai ta vendo, computador, ficou até poético!
Eu fui trocado!
Era corno que nem o arquiteto da loirona!
A única diferença, é que eu não fui corno voluntário!
Fui corno quebrado e sem conserto, toda minha vida mudou por causa de um acontecimento, eu que achava que tava sendo amado, eu tava era só sendo mais um otário usado, usando e sendo usado! Ele coloca o copo na cômoda e senta na cama, abaixa a cabeça entre as pernas e começa a falar:
Que merda de vida é essa?
A gente acha que ta vivendo e só ta passando o fracasso do sentimentos pra frente, já que ninguém ama mesmo não ame ninguém, nem ame sua semente, nem ame o que deveria nascer do amor... passando a vez de viver pra outro! O personagem parece querer chorar.
Eu podia ta com meu filho agora!
Podia ter feito um gol em homenagem a ele!
A mãe dele podia ter tido amor por mim e ta aqui do meu lado, ta comigo agora.
Grande merda ser bonito e não ter respeito nenhum, grande merda as pessoas te elogiarem por fora e não se interessarem por aqui dentro!
Nunca ninguém chegou pra mim e me perguntou quem é você?
Quem é você ai dentro cara?
Quem é você!
            Ele chora um pouco e fala:
            Nem eu sei quem eu sou!
            Nem eu sei o que sou!
            Sou só o Gomes, o gogo boy! Ele levanta pega o copo e volta a sentar na cadeira, no computador a parte do choro fica borrada e o choro é descrito como hiiiihh ihhhihh, ai ele fala:

            Até meu choro se escreveu!
            Pelo menos uma máquina sabe que eu choro!
            Que tenho sentimentos!
            Sempre evitei chorar na frente das pessoas, ninguém deve ser conquistado ou conquistar alguém com lágrimas, se é pra conquistar que seja pelo amor, ou por desejo de se entregar mesmo, mais por comoção é conquista fútil, inútil, quando vem à razão ai se vai à emoção e a comoção!

            Ta vendo! Não sou burro nem idiota!
            Tem um cara aqui dentro de mim!
            E eu que vou me descobrir.

            Que, que eu tava falando mesmo?
            Perai!
            Da pra voltar e ver!
            Só voltar pra trás pra ver não faz mal, o passado não me atinge mais o que pode me atingir é ignorar o que passei.

            Ahh ta aqui, eu tava falando do hospital, daquela vida de porra loca.
           
            Bom! Comecei a pegar nojo daquela gente!
            Nojo de hospital, daquela falação toda que no fundo não diz nada, não significa nada, passa dia, passa noite e foi só conversa jogada fora, só conversa inútil, e eu me sentindo inútil também, como que vou falar algo útil com gente inútil?
            Eu queria mudar, mas não sabia como.
            Fui cortar o cabelo... Nesse momento volta a se levantar e fica de frente ao computador.
            O cabeleireiro era um travesti, até ai tudo bem, mais antes de eu sair ele me convidou pra ir numa festa em Copacabana. Já pensei bobagem na hora, mas ele falou que:

- não era nada que você ta pensando, vai que o ambiente vai ser bom e você é bonito, merece uma oportunidade pra você mudar de vida! Ai eu fui né! Volta a pegar o copo com água. Uma música toca e as luzes se movem, (iluminação imita uma balada) enquanto o restante dos móveis fica na escuridão.

            O Ambiente realmente era bom! Gente legal, só que eu não conhecia ninguém, só o travesti, ai ele me apresentou pra uma morena, gata, lindona. Conversa boa, papo maneiro, era o que eu queria sabe. Me passou o numero dela eu passei o meu e ela perguntou quando poderia me ligar, eu disse:
- Qualquer hora, to disponível!
            Achei que ia sair um romance ou coisa assim! Volta a colocar o copo na mesa, a música para e ele continua:
            No outro dia ela me liga!
            Me chamou pra jantar com ela.
            A mulher veio me pegar com puta carrão! Eu entrei e ela já foi me falando: Neste momento ele senta na cadeira.

            Olha não precisa se preocupar que eu vou falar uma coisa pra você e você me ajudando eu posso te ajudar também!

            Fiquei pensando que merda é essa! Do que essa mulher vai falar agora! Achei que podia ser um papo difícil ai eu ia me perde e ficar parecendo um idiota!

Ai ela me contou que era lésbica só que os pais dela não sabiam, então ela queria me levar na casa dos pais dela e me apresentar como namorado dela, ai a gente conversou combinamos algumas coisas, ela era médica pediatra, e eu radiologista então tava tudo certo! O personagem se posiciona ao lado na mesa.

            Me pediu pra falar que tinha 28, só que eu tinha 24 na época e ela 30. No outro final de semana eu fui ao encontro com uma roupa maneira, sport social.
            Foi super maneiro, me senti mesmo namorado dela, comendo na mesa com a família dela, era perto do natal, tiramos fotos perto da árvore como se fosse da família e tal. O papo era maneiro, era só olhar nos olhos das pessoas e deixar a conversa rolar, era só seguir o ritmo. E sem querer eu nem me dei conta que tava agindo como quem quer conquistar ela, como se fosse minha mulher mesmo, era meio que piloto automático, abria a boca pra falar e até eu mesmo me surpreendia com o que eu sabia falar... Pra ela era só uma farsa, uma mascara que ela precisava usar, mas pra mim era algo bom, era o que eu queria na minha vida; família, amigos, fotos juntos, conversa descente, sem putaria... O personagem volta a ficar de frente do computador.

            Quando ela me levou de volta pra copa eu ainda fui dar um beijo nela, como se fosse minha mulher mesmo, ai ela puxou o dinheiro e falou:
            Você foi um ótimo gogo boy! E me pagou uma grana!
            Eu não quis aceitar, disse pra ela que foi muito bom...
            Falei: Você me fez feliz!
            Mas ela me socou o dinheiro no bolso da camisa, olhou pra frente e fez pouco caso, queria mais que eu descesse do carro mesmo! O personagem sai da cadeira como se tivesse levantado do carro e volta a falar:

            Cara! Fiquei muito incomodado com isso! Que merda de mundo é esse onde as pessoas pensam que tudo é dinheiro, que a vida é uma fantazia, e só o dinheiro é que trás realidade!
            Tudo se compra, até gente vira produto!
            Que realidade é essa.
            Uma realidade fingida, falsa, cheia de encenação!

            Mais ai cheguei no trampo e contei pros caras, e eles riam e falavam: - Você é o cara Gomes! Você merece mesmo ta no meio de gente rica!

            Depois disso, no outro dia meu celular tocou mais uma vez, era um número desconhecido, era outra mulher, pedindo o meu serviço, recomendado pela minha segunda cliente!
            Já que a primeira foi à mulher do arquiteto corno!

            Eu comecei a achar que minha vida era aquilo mesmo, que eu nasci mesmo foi pra fazer isso, sem querer me gabar, mas eu sou mesmo bom de cama... Maquina de bater carne! Ele para um pouco, fica pensativo, volta a sentar e continua:
            Vou contar quem me falou isso, maquina de bater carne.
            Na época achei até um elogio, me achava um cara de sorte, hoje sinto nojo disso.
            Enquanto muitos caras tem de fazer programa com homens eu estava fazendo só com mulheres, e umas até lindas, gatas mesmo!
            Nem sempre rolava sexo!
            Às vezes eu sentia que elas não queriam então eu tratava com delicadeza, mas se me descem um sinal ai eu partia pro ataque, indo aos pouquinhos até conseguir.
            Fui ficando cada vez melhor nisso. Não só como companhia, como também na cama, nas preliminares.
            Virei um trepador profissional, uma maquina de bater carne. Só carne, na forma humana, mas sem humanidade.
           
            Tudo que eu fiz foi repetir a forma, viver naquela forma que deu certo na segunda vez, aquela emoção que eu senti, como se eu fosse mesmo o marido, o namorado, o que elas quisessem era só repetir a forma. O personagem para um pouco, levanta e vai até o celular que está na cômoda ao lado da cama.

            Quinhentos e vinte e dois contatos ainda! Senta na beira da cama e começa a apagar os contatos, volta a falar consigo mesmo:

            Depois que eu falei na revista que ia parar, nenhuma mais voltou a me ligar!
            Tantas mulheres, tantos toques, beijos, abraços, conversas, camisinhas e nada disso agora têm sentido algum. Só me deixou vazio, sou um vazo, sem flores, sou um vazio de amor. Deixa o celular carregando sobre a cômoda.
            Amei no começo ser um objeto sexual, mas como um objeto sem objetivo, eu não tinha mais valor próprio, sexo virou só uma rotina de trabalho e por fim comecei a sentir nojo de ser objeto.

            Até que no começo eu achei que ia sair disso, ia pra cada encontro achando que ia ser resgatado, que ia conseguir conquistar alguma mulher de verdade, tipo príncipe resgatado pela princesa... Mas o que vi é que ninguém ta a fim de viver de verdade.

            É tudo um jogo de falsidade.
            Todo mundo é um pouco falso, e parece que quer mesmo é manobrar o outro pra se manter na falsidade.
            Eu achava que olhar nos olhos a gente via quem era mesmo a pessoa, mas o que eu via era que as pessoas não queriam ouvir a verdade mesmo.
            Quando elas me perguntavam alguma coisa e eu ia responder a verdade olhava nos olhos delas e via que elas não queriam ouvir mesmo a verdade, queriam a fantasia, a mentira, queriam mesmo era viver aquele engano, aquela farsa, então era fácil, era só conduzir de acordo com a direção que eu via nos olhos delas!
            Era só conduzir pra mentira, pra fantasia, afinal, a mentira não tem peso, não têm matéria e nem realidade, no mundo da mentira você pode tudo. Você é tudo que você quer e não tem limite e só...

            Maquina de bater carne!

            Essa foi a quinta com que eu sai pra fazer um programa na virada do ano, de 2011 pra 2012, ela me pediu pra ir de branco na praia de Copacabana. A gente se encontrou à tarde, e ela me disse que gostava de mim por que eu olhava nos olhos, que queria mesmo que fosse tudo como se fosse verdade, e eu repetia, mas é verdade, eu to aqui, cai na besteira de olhar nos olhos e dizer pra ela:
           
- Eu te amo!
            Ela ria, era um riso confuso!
            Não sabia se era riso de alegria ou tipo tirando onda da minha cara!
            Ai eu repetia:
            Te amo!
            Te amo!

Ela me beijou, até então tirando aquela primeira que foi a loirona do cara, ainda não tinha rolado sexo, a terceira e a quarta foi só sair mesmo, eram coroas legais que estavam a fim de se aparecer com um garoto de Copacabana, tirar umas fotos e ter companhia, mas essa da virada do ano ficamos abraçados na queima de fogos.
            Eu tinha vontade de perguntar pra ela por que na virada do ano ela veio procurar um cara como eu pra ta com ela, ela parecia ter dinheiro, mas ser muito solitária, então eu senti que se perguntasse ia perder a graça, ia estragar o momento que era dela, ia tirar o brilho dos olhos dela e eu era só alguém contratado pra ta ali!
            Molhamos os pés no mar!
            Rolou muito tesão, ai foi a primeira vez que fiz aquilo, querendo mesmo fazer, sem medo ou vergonha, e era até uma coroa bonitinha, corpão, gostosa, simpática, e foi na cama que ela me chamou:

            - minha maquina de bater carne!

            Eu achei até engraçado!
            Achei que era coisa de namorados, algo muito intimo, que era só entre eu e ela.
            Trepamos demais naquela noite, e eu dizia pra ela não me deixar. E ela disse pra mim:
            Ne me quite pa.

Perguntei:
            O que é isso?
Ela disse:
            Não me deixe em francês!

            Nossa cara!
            Eu tava com o coração cheio de amor, tava me sentindo valorizado finalmente.
            Tomamos banho juntos na suíte do hotel, depois insisti pra ela vim aqui em casa, queria mostrar pra ela onde eu vivia. Era o primeiro dia de 2012.
            Transamos mais vezes, comemos e dormimos juntos!

Quando acordei, tinha um bilhete na cômoda, e R$ 1.200,00 reais!

            No bilhete tava escrito:

Você mereceu cada uma dessas notinhas, foi à virada do ano mais gostosa da minha vida!
Vou te recomendar pras minhas melhores amigas!
Te cuida!

            Neste momento o personagem está sentado na cama, leva à mão a cabeça, se levanta e vai até o computador:

            Decidi encarar isso como se fosse uma profissão!
            Um trabalho qualquer, já que não tinha valor mesmo, que meu valor era de uma maquina alugada, Oh maquina de bater carne!

            Montei até uma tabela de valores:

1 hora!
2 horas!
Pernoite, dia todo.
Com oral, sem oral!
Anal, com cama, sem cama, só companhia, eventos sociais, familiares...

            Larguei a radiologia, pedi as contas no hospital, mas não contei pros meus pais, e como as minhas clientes falavam muito de bebidas, vinhos, coquetéis, decidi fazer um curso de bar men, só pra impressionar as mulheres, fazer uma performance.

            Só atendia mulheres e só atendia por indicação!
            O meu tesão já nem era mais o sexo, a conquista, a sedução.
            Meu tesão era só o dinheiro!
            Tinha semana que eu fazia 9 mil reais!
            Gastava, em dois dias, três, gastava a toa!
Ia pras baladas caras.
Festa de famosos.
Tirava fotos com eles e montava meu álbum na minha pagina no face!
Só aceitava perfil por indicação.
            Todo mundo me dizendo que eu merecia isso, então eu mesmo me dei o que todos diziam que eu mereço.
            E o dinheiro que eu ajudava meus pais eu dizia que era com o aluguel dos quartos do apartamento do meu tio. Falava que dava pra pagar o condomínio, as contas, depositava algum pro meu tio e ainda sobrava.
            As mulheres que me procuravam queriam saber se eu era limpo!
            Limpo pra elas era se eu aceitava sair com homens ou travestis, e eu não saia, não entrei nessa pra topar tudo e com isso eu ganhei uma certa preferência.
            Elas queriam saber o tamanho, quanto tempo eu levava... E eu pra não passar por bobo perguntava que tipo de assunto elas gostavam de falar, qual a profissão.

            Se era uma psicóloga, eu dava uma olhada na internet, via alguma coisa de Freud, algumas frases e procurava decorar. Ai no encontro durante o programa quando no meio do assunto surgia algum papo difícil era só dizer: - Bom, isso ai Freud explica! Ou então: - Nem Freud explica!

            Se era advogada eu falava: - infelizmente a justiça é cega, mais tem uma espada que pode cortar a maldade  de  qualquer um... E por ai eu seguia.

            O código pra indicação era:
           
            - Você que é o maquina de bater carne!

            Então já sabia que era pra fazer um programa.
           
            No começo, eu sempre perguntava se podia ligar de volta, muitas falavam que sim. Ai depois de uma semana eu ligava, falava que tava pensando nela e tal, quando que a gente ia se ver de novo... O personagem joga o corpo pra trás na cadeira e fica olhando para o chão então começa a falar:

            Cara! Quase sempre elas pareciam que nem se lembravam de mim, mais era só fingimento, quando eu começava a falar muitas vezes acabava mesmo era fazendo outro programa, e agora que eu to me dando conta, eu tava o tempo todo desejando algo diferente, mais tava sempre agindo igual. Do mesmo jeito que elas agiam comigo.
            Se pra elas eu era só um falo falante, pra mim elas eram só fornecedoras de grana pelos meus serviços. Ele se levanta! Fica impaciente consigo mesmo, e volta a dizer:

            Que idiota mesmo que eu fui eu agi como uma maquina mesmo.
            O maquina de bater carne!

            Mas o meu fundo de poço ainda não tinha chegado!

            Logo no começo em 2012, uma mina me ligou e já disse o código: - Você é o maquina de bater carne?

            Eu respondi que sim! Era a Jane de um clube dos mais lindos (belos) cariocas, me convidando pra participar de um show, queria saber se eu malhava, se sabia dançar, pra me apresentar.
            O cachê era pouco, pra mim nem fazia sentido ter de fazer isso, mais ela me falou que ia me promover a ter mais clientes e eu poderia sair do anonimato e sair numa revista!
            Na hora eu falei que não, queria continuar anônimo, mais ela insistiu em dizer, quem sabe alguém pode te ajudar a cuidar desse joelho, ou até você pode arrumar um trabalho bom de bar men, ficou sabendo que eu era bom em preparar coquetel.
            O tempo foi passando e eu já tava ficando cansando daquela vida, sempre prometendo pra mim mesmo que era só esse mês que eu faço isso, e ai se passou um mês, dois, um ano, dois... E ai foi 2012, 2013 até no ano da copa.

            Eu que gostava tanto de futebol parecia até um desafio, bem durante a copa elas queriam programa bem nos dias de jogos, principalmente estrangeiras que queriam saber o que é que os cariocas têm. O personagem puxa a cadeira para o lado e volta a sentar.

            Como se eu fosse o representante masculino do homem brasileiro.
            Bem no dia dos jogos do Brasil elas queriam programa e eu mesmo cobrando o dobro, mesmo assim saia programa, enquanto o Brasil tomava 5 eu tava pegando uma de 4. Ele se levanta, fica de braços cruzados e começa a andar em círculos em torno da cadeira. Volta a falar:

            A Jane do clube que me ligou continuou a ter contato comigo, queria saber se eu era tudo que diziam mesmo!
            Brincava perguntando se eu não fazia um teste drive com ela sem cobrar cachê.
            Achei que era uma farsante, cada vez que me ligava era um papo diferente...
            Ela me mandou o face dela e me mostrou onde ela trabalhava, um monte de fotos de garotões que ela já tinha promovido e ela queria saber como um garoto de 25 anos chegou a ser o maquina de bater carne na noite carioca sozinho, sem ajuda profissional.
            Desde 2012 ela me ligava, foi me convencendo a fazer academia, a parar um pouco de fumar, e eu tava indo na conversa dela.
            Da mesma forma que eu conduzia as mulheres na conversa aquela mulher me conduziu, falou pra mim se eu não pensava em ter uma mulher fixa, se eu não pensava em ser amado só por uma... Ele descruza os braços e começa a gesticular:
            Foi mais de dois anos dessa mulher me ligando e eu mesmo nunca tendo tido contato com ela fui criando intimidade, fui me abrindo com ela, e sem me dar conta direito tava gostando dela ai fui ao tal clube, só pra conhecer ela... subi no palco e comecei a dançar. As luzes se apagam e a cama do Gomes se ilumina toca uma musica e ele então sobe na cama sem camisa, só de bermuda e começa a dançar:

            Eu tava me exibindo, olhando nos olhos dela, no fundo eu tava fazendo aquilo pra ganhar ela, era como se eu tivesse pondo um peso na balança. Já que eu fui um puto eu deveria ficar mesmo com aquela puta... Ele arranca a bermuda e fica só de sunga.
            Eu tava adorando aquilo, o dinheiro deixou de ser importante e o importante virou mostrar pra ela que eu sou o melhor partido que ela pode ter... A musica começa a baixar e o personagem começa a diminuir o ritmo até ficar imóvel de cabeça baixa, as luzes se apagam e ele se veste e volta a aparecer sentado no computador.

            Eu tava empolgado com tudo aquilo, luzes, palco, e os caras que de certa forma eram iguais a mim.
            Eram gogo boys e eu finalmente me tornei o que todos diziam que eu era.
            Gomes, o Gogo Boy, não quis nome de guerra por que foi pelo meu nome que eu tava ali!
            Gomes, o Bar men que vai te bater como um coquetel.
            Também conhecido como:

            O maquina de bater carne!

            Em 2014, no outro mês que eu tive lá ia ter o concurso pra garoto Carioca e eu que não era tão saradão assim entrei no concurso, deixei os programas só pra parte do dia, disse pros meus pais que ia tirar férias pra facilitar e fui ensaiando e malhando pesado, chegava no clube e procurava a Jane a minha empresaria!
Eu chamava ela de empresaria!
Ela falava de sexo quase o tempo todo e eu chamava ela de viciada, queria mesmo ter uma noite com ela, eu não sei o que me deu na cabeça, não sei nem por que eu tava ali fazendo isso, mas eu só tinha esse objetivo:

            Ganhar a Jane, minha empresaria, viciada. Ele se levanta e continua falando:
            Eu queria ser o vicio dela, falava pra ela se eu tinha alguma chance mesmo de ganhar o concurso, ela falava todas as chances, até que eu consegui levar ela pra cama. Ele deita na cama e volta a falar:

            - Jane, deixa eu ser o seu vicio, fica comigo, deixa eu te amar, deixa, me salva, me mostra o que é o amor!

            Os olhos dela brilhavam, e os meus também, dizem que os opostos se atraem, mais são os iguais que se juntam, que se entendem... Eu beijei ela na boca, a Jane me dizia pra não beijar na boca que iria mexer muito com meu emocional, mas ela mesma me beijou e eu achei que era algo especial pra nós dois. Achei que era amor e fiz algo que eu tinha guardado só pra mim, comecei a chamar ela de: meu amor!     As luzes se apagam novamente, volta a ascender na região do fogão e ele está com o copo de água. Volta a falar:

            Levantei no outro dia de manhã e ela ainda estava na cama, fiz um café pra ela e tava levando até a cama, coloquei uma musica: começa a tocar a música do Caetano: Meu amor você me trás sorte, meu amor você me trás sorte na vida... Ele vai seguindo em direção a cama:

            Ela tomou o café!
            Tava sorrindo pra mim!
            Eu falei:
            Meu amor me perdoa em não poder te dar todo encanto, mas eu ainda posso ser seu príncipe, e você minha princesa, eu não quero uma mulher só pra dormir eu quero uma mulher que acorde comigo...
            Ela sorria, me dava carinho, - Ele agarra o travesseiro e se deita - a gente se amou mais uma vez, e o concurso ia ser naquela noite, ia ser a quinta vez que eu subia no palco pra me apresentar e eu perguntei pra ela:

            Quer que eu deixe o concurso?
            Vamos deixar isso pra lá!

            Ela me falou:

            Se ta louco!
            Investi muito tempo pra te colocar nesse palco e agora você quer cair fora!

            Não e não! Faça isso e eu te deixo! Eu disse:
            Poxa amor, pensei que você ia ficar feliz se eu desistisse:
            Ela me disse:

            Vou ficar feliz se você ganhar, depois a gente fala sobre nós ta bem?

Eu falei: Ta bem meu amor!

            As luzes se apagam e volta a ascender sobre a cama, o Show começa e é feita uma locução juntamente com o movimento das luzes:

            Agora chegou a hora que todas esperavam!
            Ele está aqui pra preparar o seu drink preferido, ele mexe, chacoalha e bate com toda força!
            Ele vai tirar você da lucidez e te levar para o mundo dos sonhos!
            Vai fazer você viajar na embriagues do prazer!
            Ele é ohhhh Gomes! O personagem aparece vestido de bar men estilizado, segurando a coqueteleira e começa a dançar em cima da cama e a locução segue:
            Nosso Bar men!
            Ele não é açougueiro, mas é conhecido nas noites da cidade maravilhosa como: O MAQUINA DE BATER CARNE!
Ouve-se a ovação com vozes de mulheres e o personagem ainda está dançando em cima da cama. Terminando a apresentação as luzes voltam a se apagar e é feita novamente uma locução:

            Agora é a hora da grande decisão, o momento final que todas esperavam, o ganhador do concurso Garoto Carioca 2014 éhhh....
Quem é mesmo!
Ele é aquele que todas esperavam ele é ohhh Gomes da Silva!
Nosso Bar men é o grande vencedor: O personagem aparece ainda estilizado segurando um microfone de mão, meio molhado de suor sobre a cama e começa a falar:

            - Muito obrigado!
To muito feliz.
Eu só tenho a agradecer a Jane, Minha empresaria que desde 2012 vinha entrando em contato comigo, que acreditou em mim, me fez ser hoje um homem feliz em todos os sentidos, Jane, muito obrigado por tudo meu amor, você me fez um grande homem. As luzes vão se apagando lentamente e a música vai diminuindo e no painel de imagens aparece ele e uma mulher que começa a discutir com ele. As frases dela:

- Seu idiota mesmo!
- Precisava ter falado meu nome!
- Eu tenho mais de 10 anos neste trabalho e você acredita que vai ser o que?
- Meu marido!
- O que você tem de lindo tem de burro gostosão! Tudo que te falei e tudo que eu fiz foi pra te por naquele palco e ver você ganhar dinheiro meu filho, é só dinheiro que me interessa, mais uma vez eu ganhei muito dinheiro com quem apostou na minha indicação, eu só te usei, só fiz isso pra cumprir com a minha meta, e você tinha que falar meu nome seu burro, idiota, seu aloprado, agora eu perdi credibilidade, todo mundo vai achar que o resultado é manipulado e é mesmo, o mundo inteiro é manipulado, mais tem sempre um idiota que quer ser o bonzinho e acreditar em romance. Seu burro, aloprado! Você estragou minha vida! Estragou minha vida, estragou minha vida... O som diminui, e fica tudo escuro! Aos poucos a luz vai voltando sobre o Gomes que está de volta sentado diante do seu computador com os fones e a roupa inicial e começa a falar:

Mas esse ainda não foi o meu fundo de poço!
Quando se ganha um concurso deste se tem um contrato pra fazer fotos, revistas e entrevistas...
Eu me senti um idiota, um burro mesmo, tinha que aparecer em fotos sorrindo, mas por dentro eu estava me sentindo morto.
Eu que tinha tido tantas mulheres e nunca agi ou fiz algo pra magoar ninguém, acabei me sentindo torturado na alma e ela nem se importou com o peso de tudo que tava dizendo, mas quem é que nesse mundo realmente se importa comigo...
Meu pai!
Ai foi o meu fundo de poço, quando ele ficou sabendo que eu tava fazendo, ele viu a noticia de quem era mesmo o filho dele: Gomes da Silva, o mais belo carioca de 2014!
Viu minha foto numa revista na banca de jornal, foi quando ele esteve aqui há três dias atrás... A luz se apaga novamente e o personagem sai do palco, os produtos em cima da geladeira saem de cena e a sacola não está mais sobre a mesa, o chapéu também, o fone de ouvido volta pra posição inicial, à luz volta a ascender iluminando todo o ambiente como sendo luz do dia, o personagem está abrindo a porta e entra de chapéu com sacolas de compras na mão e seu pai entra junto com ele trazendo a sacola ecológica, Gomes vai até a cama e senta na cama enquanto seu pai vai até a mesa e deixa as compras em cima da mesa...  Seu pai começa falando:

            - Sabe! Quando sua mãe escolheu seu nome, na hora eu não gostei!
            - Quase todo mundo na família já tinha um nome bíblico, e sua mãe escolheu esse nome: Gomes!
            - Sua tia veio com um livrinho de nomes, e a sua mãe me mostrou que Gomes quer dizer:
- Filho do homem!

            - Ai achei seu nome bonito! Enquanto fala seu pai caminha pelo ambiente retirando as compras e colocando os produtos na geladeira e em cima dela, isso ao longo da conversa.

            - Fiquei pensando assim! Haja o que houver, meu filho vai saber mudar sua vida, vai saber dar a volta por cima, como dizem, por que meu filho é o filho do homem... Gomes fala:

            Num nasci pra ser santo! Seu pai responde:

            - Não era dessa forma pensei!
            - Quem nesse mundo pode dizer; Eu sou homem, sou cem por cento honesto, verdadeiro!
            - Que exemplo de homem a gente tem pra seguir?
            - De homem do mundo o mundo ta cheio, agora de homem, homem mesmo, homem humano, com todas as qualidades de um homem, integro, honesto e verdadeiro você não encontra nenhum! Vivo nenhum!

            - Nenhum filho!
            - Nenhum! Nem eu tenho isso, eu sei que não!
            - Mais pelo menos o meu filho seria o filho do homem, eu queria ser o homem, com todas as qualidades de homem, homem mesmo, humano!
            - Mas nem eu mesmo sabia como era ser assim, Homem!

            - Quando você começou a namorar, eu dizia: Taí, Meu filho é homem, macho!
            - Mais eu via que você trocava de namorada como quem troca de camisa, eu que me achava um servo de Deus... Gomes interrompe seu pai novamente dizendo:

             O que se queria que eu fosse... Seu pai o interrompe e diz:

            - Não Filho! Eu queria que você fosse feliz, deixa seu pai falar depois você fala, fica tranqüilo que não vou falar da igreja, não vou pregar sermão não! Sua mãe já fez isso lá em casa e eu disse que sabia o que fazer por isso fiz essa compra e vim até aqui.
            - Mais deixa eu te dizer, como eu via você, como eu pensava na vida olhando a sua vida.
            - Eu pensava: Se eu fosse bonito que nem meu filho eu ia ter um monte de mulher, ia pegar todas.
            - Ele merece!
            - Mas eu via que você nunca tava contente! Era como um animal que não saciava a fome nunca, sempre precisando de carne! Carne! Maquina de bater carne! Tava escrito na revista! Gomes responde:

            Foi uma cliente que me chamou assim! Seu pai para por um instante e olha para o Gomes, respira fundo e volta a falar:

            - Sabe filho! Eu comecei a ver que o mal da sedução é que a sedução seduz o próprio sedutor!
            - Se eu fosse como você, não teria 30 anos de história de vida com uma única mulher!
            - Já você tava sempre envaidecido, até com aquela Grazi!
            - Eu pensei, agora o Gomes sossega. Agora que ele arrumou uma mulher linda os dois combinam!
            - Só que a sedução, a vaidade, termina quando se quebra o caminho que o sedutor “acha” que vai conseguir tudo que merece! Gomes fala:

            Ela que terminou pai. Seu pai volta a dizer:

            - O mundo não é perfeito, e até bom isso sabia!
            - Isso é pra gente aprender que ninguém consegue ser feliz, vivendo em paz e amor no seu pequeno mundo, aqui é a Terra, não da pra ser um pequeno príncipe.
O mundo é grande Gomes, e se a gente quer ta nele temos que ser grandes.
            - Só que dos sedutores o mundo quer devorar a sua grandeza de fora.
            - Você poderia ter sido um grande jogador de futebol, mais se tornou o grande sedutor de mulheres... parabéns!
            - Já pensou se você tivesse tido uma irmã e ver a foto dela como a maior prostituta do Rio de Janeiro?

            - Ou saber que sua mãe foi a maior vadia do Rio! Gomes fala:

            Minha mãe é um anjo! Seu pai responde:

            - Mas o filho dela é um demônio!
            - Tava escrita na reportagem da revista: Cara de anjo, mas um demônio nas noites cariocas!
            - Adiantou você seguir a grandiosidade do mundo e abandonar o que você acha grande na sua mãe, abandonar o amor que você tinha dentro de um lar?
            - Sabe o que eu acredito que é ser um grande homem? Gomes responde:

            Não pai!  Seu pai responde:

            - É dar sua própria vida pra viver aquilo que você mais ama, aquilo que você acredita que te faz realmente grande!
            - Sabe o quê eu mais amo nessa vida? Gomes responde seu pai:

            Sei, a mãe!  Seu pai responde:

            - E você também, mas sua mãe tem um lugar especial dentro de mim, sabe por quê?  Gomes responde não acenando com a cabeça!

            - Porque ela me faz sentir um grande homem, hoje eu sei o que é ser homem mesmo, humano, ela que me faz ver o valor que tenho, é dentro de um lar que o homem tem tudo filho: Tem abrigo, comida, amor, carinho, um filho e até sexo!

            - Eu Tenho sua mãe!
- E por causa dela eu construí um lar, tive um filho e por ela eu trabalho, mas não é só pra ter o que comer, é pra dar pra ela o homem que ela acredita que eu sou.
 - Isso me satisfaz hoje me sinto feliz com a história de vida que eu mesmo me dei.
            - Me sinto homem, homem humano, nem tanto como eu queria, mas to no caminho.

            - E você! Que homem você deu pra todas essas mulheres? Gomes permanece na cama com as mãos coladas e de cabeça baixa com seu chapéu. Seu pai fica nervoso e começa a aumentar o tom de voz:

            - Sabe o que é um homem varão?
            - É o homem de respeito, de caráter, que tem índole!
            - Agora o que você foi pra elas?
            - Você foi só um falo que falaGomes pergunta:

            Como assim um falo que falaSeu pai responde:

            - Rola, pinto, pênis, cara... Até... Com tanta mulher e nem sabe o que é um falo! Pra elas tu foi só uma pica que fala!
            - Eu evito falar palavrão, não é pela religião não! É pra permanecer com a fala correta, o entendimento correto, é pra pensar pensando só com a cabeça de cima sem me envolver com meus desejos carnais.
            - Sou mestre de obras, mas nem por isso aceito agir ou falar como um ignorante!
            - Quem se põe no prumo da ignorância só fica de pé em cima dela!
            - E o que eu mais amo filho é ter com a verdade, é poder ser integro tanto nas minhas atitudes quanto na hora em que falo.

Seu pai da umas respiradas profundas e diminui agora o tom de voz, senta na cadeira e volta a falar:

            - Sabe por que tu não ergues a cabeça agora? Gomes de cabeça baixa torce a boca, mas não responde nada.
            - Por causa das suas atitudes você perdeu o respeito que o seu pai ainda tem!
            - Seu prumo declinou com a mentira que você aceitou, deixou de ser integro com você mesmo.
            - Se eu tivesse um passado parecido com seu presente não teria o direito de te dizer nada!
            - Você perdeu o direito de ser inocente, de não sentir nada com as minhas palavras.
            - Nenhum bandido ergue a cabeça sabendo que não é nenhum inocente!
            - Você sabia muito bem que tava fazendo, na hora você se sentia o tal... Se era pelo dinheiro então cadê esse dinheiro? Gomes responde:

            Eu não me sentia o tal não pai! Seu pai diz:

            - Então foi o dinheiro! Gomes responde:

            Isso no começo foi! O dinheiro domina a gente! Seu pai puxa a cadeira giratória e coloca de frente para o Gomes, senta e continua falando:

            - Dinheiro não domina ninguém não! O que domina é o olhar nos olhos, você foi dominado e achou que podia dominar. Seu olhar virou o seu demônio, você pedia uma coisa, mas aceitava outra!
            - Achou que a tal da Jane tava apaixonada por você!
            - Encontrou a mulher da sua vida!
            - Dois demônios juntos, um querendo dominar o outro!
            - E o pior um deu a vitória pro outro, mas o que venceu foi à mentira! Gomes diz:
           
            Eu achei que ela me amava de verdade! Achei mesmo! Seu pai diz:

            - Sabe quem te ama de verdade, quem te ama mesmo de todo coração (Gomes diz no meio da conversa: Você e a mãe! E seu pai ainda continua falando) e que ta presente contigo, em todo momento, no local e na hora que você mais precisa? Gomes responde:

            Deus!  Seu pai diz:

            - Não filho! Você!
            - É você que ta presente com você mesmo no exato momento e no local que você precisa e é você que tem de saber agir, não da forma que todos esperam que você haja, mas da forma correta e da forma verdadeira, defendendo você mesmo de viver os demônios que os outros querem que você tenha.
            - Ninguém consegue aceitar a inocência do outro quando carrega o mal consigo próprio.
            - Por isso todos mentem, pra que ninguém possa ser verdadeiro o bastante e dever explicação quando lhe faltam com o amor.
            - Sabe o que é amar de verdade? Gomes acena com a cabeça sem dar certeza de uma resposta.

            - A primeira coisa que você precisa saber é ser honesto, seja qual for a sua verdade! É dizer pro outro o que você realmente quer da vida. Você no fundo esperava que de verdade o amor acontecesse!
- Poxa, nossa! O amor venceu!
- E me explica como que o seu amor desonesto iria vencer aliado com a mentira?

            - E venceu! Ta feliz? Gomes responde:

            Não pai! To muito magoado com tudo! Seu pai responde:

            - Então aproveita essa magoa e dá uma resposta pra ela!

            - Sentimentos não são respostas pra gente fazer isso ou aquilo!

            - Sentimentos são perguntas!

            - E é dando um tempo na vida pra responder nossas perguntas que encontramos nossa verdade!

            - Eu não te condeno e não vou me envergonhar como você, nem te peço pra fazer nada, só quero te pedir uma coisa filho!
            - Fica aqui! Sozinho, pelo menos 3 dias, não ligue nem pra mim nem pra sua mãe, fica aqui e seja honesto com você mesmo!  Seu pai começa a falar mais alto na próxima frase:

            - Fica aqui e dá um tempo pro seu próprio pensamento dar a resposta pra sua mágoa, responda suas próprias perguntas, conheça suas próprias verdades, por que o mundo ai fora ta cheio de demônios, falo no sentido do mal, da mentira, da falsidade, num to falando de demônios espirituais não, to falando de gente que te olha nos olhos e te faz um objeto de uso pra suprir as mágoas e os fracassos que elas têm. Esses demônios só querem o sabor da tua carne, o sabor da honra e da honestidade que ainda te resta, ai quando arrancam isso de você, quando te colocam ao lado deles... Eles não tão nem ai pra tua alma, pra teus sentimentos, por isso que eu hoje amo ter com a verdade, porque só com a verdade é que e recebo de volta um amor verdadeiro. levanta filho! Gomes levanta e eles se abraçam. Seu pai volta a falar:

            - Fica aqui filho, teu pai e tua mãe te ama muito, não é castigo filho, é só amor, só quero que você tenha as suas respostas de você mesmo, encontre seu centro, seja honesto contigo e justo, as respostas que você precisa virão com o tamanho do seu entendimento ai depois abra a porta, venha pra casa e você me diz a sua verdade, não quero justificativas, e sim a verdade que você vai descobrir. Gomes responde emocionado:

            Ta bom pai, se é só isso eu faço, eu deixei de fazer muita coisa que eu queria pra te ajudar pai, então isso eu faço! Seu pai responde:

            - Eu só to te pedindo por que sei que você vai vencer filho, e dessa vez você vai ser um grande homem, mas grande pra você mesmo, vai ser, quando você ver o que você é, você será capaz de lutar por ti mesmo, dá esse tempo pra você mesmo encontrar o seu próprio amor!

            Ta bom pai, perdoa! Seu pai coloca a cadeira de volta e começa a caminhar indo em direção à porta, para e responde:

            - Nem te julguei filho. É você que vai se julgar e se perdoar!

- Saindo daqui, você pode fazer o que quiser, mas só as atitudes corretas te levarão ao seu desejo correto! Você vai achar seu Centro. Tchau filho!
Seu pai sai pela porta e o Gomes começa a ir até a porta, chegando à maçaneta diz: Tchau pai! Fechando a porta e levando as mãos na cabeça! A cena de inicio se repete. As luzes se apagam e volta a acender, ele então fala:

             Minha vida é uma merda!
            A minha vida é uma merda!

            Novamente as luzes se apagam ao voltar ele está sentado no computador com os fones de ouvido e microfone sem o chapéu que está na mesa agora e a sacola agora está como no momento antes dele falar com o pai, então continua seu dialogo com o computador:

            E foi assim que cheguei a esse momento da minha vida!
            Aqui sozinho contando minha vida pra um computador. Ele se levanta, e começa a falar:

            Meu pai tinha razão!

            Eu precisava mesmo ficar sozinho. Precisava mesmo me entender.
            As respostas vieram aos poucos, elas vieram agora que eu tenho meu entendimento.
            Falaram pra mim que eu era burro e eu acreditei que era mesmo burro, idiota, mas eu sei agora que eu sou capaz de saber, só escondi a minha inteligência por que eu queria ser amado, mas desejei ser amado pela mentira e o meu amor verdadeiro eu escondi, não tive coragem de mostrar meu amor por amor, não sabia que o mais importante é viver o meu próprio amor.
            E o que é o amor?
           
            O amor não passa de paixão se for só pela ambição de ter a beleza do outro a sua frente!
            As luzes vão diminuindo e se apagam então ele aparece iluminado em cima da mesa de centro (Enquanto o cenário se move em torno dele)
            Mas o amor verdadeiro mesmo é aquele que tem coragem de assumir ser o centro das atenções e mesmo que todos te olhem com seus desejos só você mesmo é capaz de se mover pra realizá-los, eu daqui de dentro não me vejo, daqui de dentro eu sei que a beleza que tenho só pode ser entendida a partir das minhas atitudes.
            Sem as atitudes corretas minha beleza é infame, é nojenta.
            E como eu posso receber amor verdadeiro se me deixo levar pela mentira.
            Como posso ser inteligente se me guio pela ignorância, se aceito o discurso frouxo cheio de falas inúteis e manipuladas pra exibir os seus desejos desprezíveis de risos soltos, mas sem nenhuma alegria verdadeira..
            Hoje eu sei pai que o mundo se move de acordo com a minha coragem ou as minhas franquezas, mas das fraquezas eu só provei o amargo da vaidade, o podre da ganância e o desprezo da luxuria.
            A luxuria que despreza toda beleza a sua volta e até a beleza que tem dentro de você pra ser covarde em jogar fora o que você mesmo aprendeu com sua vida.
            Você pode estar num palacete cercado de beleza, mas sem coragem pra assumir a honra da beleza que te cerca você se torna um lixo em meio ao luxo.
            E eu olho o passado sim, não olhar o passado é ignorar as cicatrizes, mas por ignorância ou esquecimento podemos nos cortar de novo, podemos escolher entre o medo de olhar pra trás ou ter coragem de carregar a experiência passada e se manter no prumo do nosso próprio saber.
            Hoje eu sei que o saber me protege e os sentimentos me perguntam se é mesmo essa direção que eu quero seguir:
            Se quero ser amado eu só devo entregar o meu ser pra quem realmente vai me amar, e se eu não encontrar ninguém eu não devo aceitar qualquer coisa que vier acontecer, porque assim eu me torno apenas uma peça envolvida numa maquina que toca na carne, mas não ta nem ai pro que toca em minha alma.
            Eu quero ser amado então eu me torno meu amor, não é a aprovação do mundo que vai me tornar o que eu quero ser, o que eu quero é o que eu sou. Eu tenho amor e amo o amor que tenho, amo os anjos que me trouxeram a vida e por eles eu devo viver e dar a chance pra que alguém possa viver o amor que eu só encontrei em mim mesmo.
Eu mereço mesmo é viver pra ser grande, mas grande aqui dentro!
Sou o Gomes, mas podem me chamar de Gogo boy, de qualquer coisa que você queira, mas nada me tira o direito de poder ser o amor que eu quero ser pra você, você mesmo, minha Vida. Foi à covardia que me fez fracassar, mas a coragem me faz perdoar, eu me perdôo pra te dizer: O Ator sai e agora pela porta empolgado e feliz gritando:

Eu te amo Vida!
Eu te amo!
Te amo!
Vida!
Fim

Minha idéia é que o palco seja móvel, com um piso elevado circular que irá girar.


De: Roberto Gama da Silva.


Concluido em: Segunda-feira, 31 de agosto de 2015